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Cabe Arquitetura Hospitalar ganha VI Grande Prêmio de Arquitetura Corporativa

Assinado pela Cabe Arquitetura Hospitalar, projeto da unidade de Hebiatria do Hospital Santa Catarina, focado em público infanto-juvenil, vence a Categoria Saúde Interiores

A arquiteta Célia Bertazzoli, da Cabe Arquitetura Hospitalar, e o doutor Luciano Patah, diretor Técnico do Hospital Santa Catarina, recebem o Prêmio de Arquitetura Corporativa

 

Espaço TeenPela segunda vez, a Cabe Arquitetura Hospitalar vence a Categoria Saúde Interiores do Grande Prêmio de Arquitetura Corporativa, organizado pela Flex Eventos. Este ano com um projeto inédito no Brasil, o da Hebiatria do Hospital Santa Catarina (HSC), em São Paulo, já publicado no site Hospital Arquitetura. Inaugurada no mês de abril, a nova ala trata-se de uma unidade de internação focada no público infanto-juvenil, a exemplo de hospitais na Alemanha e na Suíça, que atuam há mais de 20 anos com o conceito de atendimento personalizado por idade.

O projeto foi selecionado entre os 996 inscritos por um júri que analisou entre Quartooutros itens, principalmente a relevância da proposta, seu impacto, o desafio e a qualidade arquitetônica. O diferencial da Hebiatria criada pela Cabe Arquitetura Hospitar está no arrojo arquitetônico, que tornou o novo espaço muito mais acolhedor do que as alas convencionais do HSC.

O projeto buscou em primeiro lugar a identificação do usuário infanto-juvenil com o espaço, fugindo da ambientação infantilizada com bichinhos e tons pastéis em tetos e paredes. “Quando o ambiente é favorável ao seu pronto-restabelecimento, é possível reduzir em até 50% a permanência do internado em hospitais”, afirma a doutora Maria Bernadete Dutra de Resende, médica Quarto 2responsável pela pediatria do HSC.

Para a arquiteta Célia Bertazzoli, da Cabe Arquitetura Hospitalar, “essa premiação é fruto do trabalho desenvolvido nos últimos dez anos em unissonância com o HSC com foco em resultados; e do pioneirismo do HSC em criar um espaço dedicado ao jovens e adolescentes, que passa a ser reconhecido em todo o Brasil e America Latina".

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Certificações atestam sustentabilidade nos empreendimentos

AQUA e LEED validam projetos ambientalmente corretos

Laboratório Sustentável: Delboni investiu sete milhões na nova unidade

 

Edificação verde. Essa palavra ganha cada vez mais destaque no segmento da construção civil, mas entre o discurso ambiental “marketeiro” e a prática efetiva de ações sustentáveis não é raro detectar um abismo. Por mais gigante que possa ser, às vezes, ele passa despercebido até mesmo por tomadores de decisão, que acreditam em projetos pouco ou nada eficientes em relação à preservação ambiental. Uma boa saída para resolver essa questão, inclusive nos empreendimentos hospitalares, são as certificações sustentáveis direcionadas para atender às urgentes necessidades ambientais da engenharia civil. No Brasil, existem duas certificações desse tipo. O LEED - Leadership in Energy & Environmental Design, sistema americano desenvolvido por aqui pelo Green Building Council Brasil (GBCB) e o processo Alta Qualidade Ambiental (AQUA), resultado de uma parceria entre a Fundação Vanzolini, o instituto francês Centre Scientifique et Technique du Bâtiment (CSTB) e os professores de Engenharia de Produção e de Engenharia de Construção Civil da Poli-USP.   O AQUA é o mais recente. Ele chegou no mercado há pouco mais de seis meses e estabelece 14 critérios de análise. “Diferente das normas que temos hoje, cujos procedimentos são feitos por meio de relatórios enviados à certificadora no exterior, o processo AQUA prevê reuniões e visitas dos auditores durante todo o programa, concepção e realização da obra”, afirma o diretor de certificação da Fundação Vanzolini, José Joaquim do Amaral Ferreira.  Para obter essa certificação, o edifício recebe as qualificações: bom, superior ou excelente, sendo no mínimo três critérios excelentes e, no máximo, sete bons. São observados os desempenhos em várias categorias, como: relação do edifício com o seu entorno; canteiro com baixo impacto ambiental; escolha integrada dos materiais; gestão de energia, água e resíduos da edificação; conforto acústico, visual e olfativo; qualidade sanitária dos ambientes, do ar e da água, entre outros aspectos.   O coordenador-executivo do processo AQUA, Manuel Martins, explica as particularidades desse  processo. “O AQUA contém critérios adaptados ao Brasil que exigem bons desempenhos em categorias distintas. Esta avaliação é feita por meio de auditorias presenciais seguidas de análise técnica que são desenvolvidas em três fases: programa, concepção (projetos) e realização (obra). Após a aprovação dessas etapas, os certificados são emitidos em até 30 dias”, diz Martins.  De acordo com informações divulgadas pela Vanzolini, a média de custo adicional para a construção sustentável em relação à convencional gira em torno de 5% do custo da obra. O valor da certificação está incluso nesses 5%, o que representa 0,15% do custo da construção.  “A média de retorno desses 5% de investimento aparece depois de um período de 2 a 5 anos. Haverá economia de água, energia, manutenção e gestão de resíduos, mas os maiores benefícios estão voltados à sociedade. Por meio das construções sustentáveis, geramos menos resíduos, diminuímos a emissão de carbono, reduzimos o consumo de água e energia, além de auxiliar a integração das pessoas no espaço que vivem”, acrescenta o coordenador do processo AQUA.  

DELBONI AURIEMO CONQUISTA O SELO LEED

 Marcos Casado, gerente técnico do GBC Brasil.Outra opção que pode assegurar a sustentabilidade nas edificações é o LEED – Leadership in Energy & Environmental Design, cedido pelo Green Building Council Brasil (GBCB). Este certificado começou a ser desenvolvido em 1999 com o objetivo de suprir às necessidades americanas em conceituar de forma mais adequada os Green Buildings. De lá pra cá, o sistema foi aprimorado e ganhou o mundo, pois apontou soluções e permitiu avaliar o desempenho das construções em vários aspectos, como: espaço sustentável, eficiência no uso de água e de energia, uso de materiais e recursos, qualidade ambiental interna e inovação de processos.

“O LEED orienta, padroniza, mensura e certifica os edifícios, diminuindo os impactos ao meio ambiente. Qualquer empreendimento pode se registrar para possuir a certificação, mas para recebê-la a construção deve seguir 69 critérios. Cada um deles vale um ponto. Se atingir 26 pontos, significa que o prédio está de acordo com os aspectos sustentáveis e, portanto, poderá obter a certificação básica. A partir de 33 pontos, recebe o certificado prata. Quando chegar aos 39, obtém o ouro. Já com 52 pontos, atinge-se a certificação máxima: a platina”, esclarece Marcos Casado, gerente técnico do Green Building Council Brasil.

Estudos realizados pelo United States Green Building Council (USGBC) mostram que os empreendimentos sustentáveis aumentam a produtividade no ambiente corporativo. Há uma diminuição na ausência de funcionários em 15%. Nas escolas, os alunos melhoram o desempenho em até 20% e, no setor da saúde, os pacientes se recuperam mais rápido, deixando o hospital mais cedo.

Delboni Luiz Dumont Villares (SP): primeira unidade sustentável da rede Auriemo“Para as pessoas que habitam ou trabalham nesses edifícios, a qualidade de vida aumenta graças à melhora do ar e das condições de conforto térmico e de iluminação. Para o planeta, os benefícios são inúmeros, entre eles está a diminuição na extração de recursos naturais. Essa nova concepção de arquitetura ganhou força nos últimos cinco anos e hoje já começa a criar novas demandas de mercado na construção civil brasileira. A construção sustentável veio para ficar. Talvez ela surgiu um pouco tarde, porém  com o engajamento de toda a sociedade, revendo pensamentos e atitudes, certamente vamos formar uma nova cultura baseada em uma visão sustentável”, complementa o gerente do GBCB, Marcos Casado.

Segundo o GBCB, quatro empreendimentos brasileiros já conquistaram o LEED, outros 79,  estão em processo de certificação. No segmento da saúde, uma das empresas certificadas recentemente foi a unidade do Delboni Auriemo - Luiz Dumont Villares, localizada no bairro de Santana, em São Paulo. O laboratório sustentável, inaugurado em março, foi criado para atender cerca de 500 clientes por dia. Especializada em medicina diagnóstica, a unidade teve toda construção pautada nos conceitos de preservação ambiental. Durante a obra, foram utilizados materiais reciclados e certificados, como madeiras vindas de regiões reflorestadas. Além disso, foram implementados programas para redução do consumo de água, energia, promoção da biodiversidade com espécies nativas e reciclagem de lixo.

O investimento que custou sete milhões de reais apresenta múltiplos benefícios, conforme revela Daniel Coudry, gestor de negócios da rede Auriemo. “Investimos cerca de 12% a mais se compararmos a outras unidades. No entanto, sabemos que recompensa virá por meio da economia de água, energia elétrica e manutenção dos equipamentos. É importante salientar que o Delboni não implementou essa prática por questões financeiras, elas têm um peso secundário. O essencial são os valores da companhia. Para nós, a saúde do indivíduo não se restringe ao diagnóstico e à prevenção de doenças. Ela está ligada também a qualidade de vida e ao equilíbrio da sociedade com o meio ambiente”, enfatiza.

Para saber mais sobre as certificações, acesse:
Fundação Vanzolini - www.vanzolini.org.br
Green Building Council Brasil (GBCB) - www.gbcbrasil.org.br

Sistema integrado de automação cria hospitais mais moderos e eficientes

Equipamentos e sistemas automatizados podem melhorar a eficiência do atendimento e minimizar custos em hospitais, mas é importante planejar o processo de instalação para não criar custos desnecessários sem alcançar a eficiência desejada

Criados para facilitar e otimizar o trabalho dentro de hospitais, os sistemas de automatização permitem a utilização mais racional de recursos e a diminuição de custos. Fechar a equação de economia aliada ao investimento em tecnologia, contudo, não é tão simples. Para montar projetos verdadeiramente eficientes de controle de estoques, acesso de funcionários e pacientes e aumentar a agilidade no atendimento, por exemplo, é preciso planejar a estrutura física dos centros de saúde com cuidado. Afinal, a automação ainda é relativamente cara e, sem a preparação adequada, corre-se o risco de os benefícios não serem alcançados.

Antes de comprar novos equipamentos e instalá-los, é preciso ter em mente que algumas adequações nos ambientes precisam ser feitas. Os corredores e rampas, por exemplo, precisam ser mais largos para receber macas e cadeiras de roda elétricas, maiores que as convencionais. . O vão das portas também deve ser maior que de antigas construções e as paredes, mais grossas, porque portas automáticas são mais largas, altas e espessas. Outra mudança é em relação ao cabeamento, que necessitará de espaço nas paredes e dutos específicos.

Tantos detalhes e alterações podem parecer demais para serem feitas em edifícios construídos há décadas, situação em que se encontram grande parte dos hospitais brasileiros. Mas é possível fazê-las de uma maneira ordenada e com um custo acessível. Marcos Antonio Porta Saramago, doutor pela Unicamp em integração de dispositivos inteligentes para automação hospitalar, afirma que a falta de planejamento no desenvolvimento do projeto arquitetônico não impede a criação desses sistemas. “Existem soluções para todos os processos de automação, sem que eles atrapalhem a parte estética do hospital”, comenta Saramago. Se não há a possibilidade de colocar a fiação por trás da parede, como é o mais adequado, podem-se construir divisórias de drywall ou então deixá-los debaixo da mesa em áreas como a recepção.

Além de planejar a estrutura física, é preciso cuidar para que o processo de implementação não necessite de um investimento muito grande, afinal, minimizar custos é parte importante da automação. Arquitetos, engenheiros e profissionais envolvidos nas áreas devem avaliar, em conjunto, se a substituição de procedimentos vai resultar em benefícios importantes. Erros dessa natureza costumam ocorrer quando a automação é feita em um “pacote fechado”, sem levar em conta as especificidades de cada instituição. “Ao fazer uma implantação gradual dessa tecnologia, desenvolvedor e cliente trabalham juntos, o que permite ao corpo médico entender o funcionamento dos mecanismos”, explica Saramago. Uma vantagem é que serão feitos sistemas realmente úteis, ajustados pelos próprios funcionários do hospital. “Outro benefício é que, ao diminuir o investimento inicial, a automação fica mais viável e é possível ter um retorno imediato.”

A terceira etapa é a escolha dos equipamentos. Nessa hora, o bom aproveitamento depende se a instituição conhece a fundo os procedimentos praticados em cada setor. Nem sempre os hospitais têm esse tipo de conhecimento, que pode ser adquirido por meio de uma equipe de arquitetos que compreenda como o ambiente influencia na metodologia de trabalho e sistematize as diferentes formas de atuação. Portas que controlam o acesso por meio de cartões com chip, que identificam as passagens permitidas para pacientes, funcionários e acompanhantes, são muito úteis em UTIs e maternidades, por exemplo. No almoxarifado, pode-se ter controle de entrada e saída de pessoal e evitar furtos de pequenas quantidades. Dentro dos quartos de pacientes muito debilitados, o acendimento de luzes e fechamento automático de torneiras elimina a dependência em relação aos enfermeiros para atividades simples.

Em áreas como a recepção e pontos de encaminhamento, a automação só terá sucesso se for acompanhada de treinamento dos funcionários, que devem estar conscientes dos benefícios que serão alcançados. “Para que a eficiência da automatização de trabalhos de base seja alcançada, é preciso que o procedimento não seja agressivo”, comenta Saramago. É preciso criar fácil acesso aos programas, deixando o funcionário o mais à vontade possível com a mudança. “O mais importante é que o sistema deve se adequar ao trabalho do funcionário e não o contrário. Os dispositivos para automação existentes no mercado são feitos para que qualquer pessoa, independentemente de seu nível educacional, possa operar. A idéia é que estes dispositivos sejam desmistificados, não necessitando de um engenheiro para operar. Só assim a automação terá o máximo êxito”, conclui.

 

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