Destaques

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Primeira unidade de hebiatria do país exibe projeto arquitetônico inovador

 

Para atender crianças e adolescentes, Hospital Santa Catarina, de São Paulo, cria área em que comunicação visual e possibilidade de interação ajudam na recuperação. Especialização por faixa etária segue modernas tendências internacionais.

Espaço Teen: área de convivência criada para incentivar pacientes a interagirem entre si durante a internação

 

A hebiatria, especialização da pediatria voltada para o atendimento a adolescentes, ainda é relativamente nova e pouco estudada no Brasil. Atualmente, estima-se que existam no país cerca de 250 hebiatras. Contudo, alinhado a tendências internacionais de atendimento médico, o Hospital Santa Catarina de São Paulo inaugurou no mês de abril uma unidade de internação com 11 apartamentos totalmente voltada para o público infanto-juvenil, uma iniciativa inédita no país. Junto com o pioneirismo está o arrojo do projeto arquitetônico desenvolvido para o novo setor, responsável por criar um espaço muito mais acolhedor do que as alas convencionais.

Para construir esse novo setor, os arquitetos da Cabe Arquitetura tiveram de escutar o público-alvo. Antes de iniciarem o planejamento, realizaram uma pesquisa de campo que ajudou a identificar gostos e referências que pautaram o projeto arquitetônico. “Fugimos da ambientação infantilizada com bichinhos e tons pastéis em tetos e paredes e buscamos em primeiro lugar uma identificação do adolescente com o espaço”, afirma Célia Bertazzoli, da Cabe Arquitetura.

Alegre, comunicação visual é feita com painéis que retratam temas de interesse dos adolescentesO Espaço Teen é a concretização do esforço a que se refere a arquiteta. O local é uma área de convivência entre os pacientes, onde há computadores com acesso à internet e jogos. As mesas, o piso quadriculado e os pufes coloridos lembram uma lanchonete, dessas que fazem tanto sucesso entre os jovens. “Quando a pessoa está envolvida com elementos que têm relação com sua vida, suas atividades e seus costumes, é possível reduzir em até 50% sua permanência em hospitais. Principalmente quando o internado tem o respaldo da família e o ambiente é favorável ao seu pronto-restabelecimento”, opina a doutora Maria Bernadete Dutra de Resende, responsável pela pediatria do Santa Catarina.

A comunicação visual é outro importante diferencial nesse novo projeto. Logo na entrada do 5º andar, o jovem paciente é recebido com painéis que retratam esportes, música, literatura e dança, temas de interesse apontados na pesquisa. Desenhos com formas dinâmicas e cores suaves lembram os grafites urbanos que já estão completamente inseridos na cultura desse público. As cores das paredes dos quartos – tons de azul e amarelo – também são mais estimulantes.

Nos apartamentos que ficam de frente para a Avenida Paulista, amplas varandas foram construídas para dar maior liberdade aos pacientes. As sacadas resgatam o projeto arquitetônico original do prédio, datado da década de 40, mas serão protegidas com vidro para dar mais segurança e conforto mesmo em uma das regiões mais movimentadas da cidade de São Paulo. Quartos com amplo espaço interno deixam jovens  mais confortáveis enquanto recebem tratamento

Na parte interna, o espaço dos quartos permite que o paciente assista TV e faça suas refeições com muito conforto. Há ainda imãs com silhuetas de diversas atividades praticadas pelos jovens, feitos para serem colocados nas portas. “Ele poderá escolher o desenho de acordo com seu gosto, se prefere jogar futebol ou tocar guitarra, por exemplo, e pregar ali. Com isso, a equipe médica poderá conquistar o paciente mais rapidamente, pois já conhece suas preferências de antemão”, aponta Célia Bertazzoli.

Para os 29 novos profissionais que vão trabalhar no setor, os arquitetos projetaram uma área com privacidade para fazer pesquisas e prescrições. Divisórias de vidro facilitam a comunicação de pais e acompanhantes com médicos e enfermeiros, mas ao mesmo tempo criam uma separação eficiente dos corredores e o animado Espaço Teen. A ala também está equipada com posto de enfermagem, área de preparo de medicação e sala de procedimentos.

Investimento

Apesar de seu pioneirismo e alta eficiência, é vantajoso para o hospital criar uma unidade exclusiva de hebiatria? Fábio Tadeo Teixeira, diretor executivo do Santa Catarina, diz que a necessidade de criar uma área específica foi sentida na convivência com crianças e adolescentes encaminhados para o Pronto Atendimento. “Hospitais na Alemanha e Suíça atuam há mais de 20 anos com o conceito de atendimento personalizado por idade e são altamente capacitados para operar neste mercado. Estamos trazendo para o Brasil o mesmo conceito e nos preparamos para receber e tratar pacientes a partir dos 5 anos até o final da adolescência. A nova unidade está à disposição da população brasileira através de uma infra-estrutura hospitalar completa como as que existem em países desenvolvidos”, afirma.

A construção e implantação do novo setor durou oito meses e foram investidos R$ 2,5 milhões. Além de jovens de 13 a 18 anos, a unidade estará pronta para receber o público infantil sempre que a unidade de pediatria do Santa Catarina precisar de apoio.

A preparação dos edifícios de saúde para a hebiatria é um dos temas discutidos e pesquisados no Nupeha (Núcleo de Pesquisa e Estudos Hospital Arquitetura), criado pela Cabe Arquitetura e coordenado pela arquiteta Célia Bertazzoli (Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.).

FICHA TÉCNICA

Cliente: Hospital Santa Catarina
Data: 2007 / 2008
Projeto de arquitetura e comunicação visual: Cabe Arquitetura
Projetos de instalações: AGM Engenharia
Ar condicionado: Fundament-ar (projeto); Heating Cooling (execução)

FORNECEDORES

Piso: Gerflor; Resinfloor e Silestone
Forro e divisórias drywall: Placo
Caixilhos e portas deslizantes: Técnica Esquadrias
Sistema de insulamento: Vidros Glassec e persianas Screenline da Euro Centro
Iluminação: Lumicenter, Dominici, Lumini e Ômega
Construtora: Porfírio e Plaza

Comunicação visual integrada à arquitetura humaniza atendimento em centro médico de São Paulo

GreenLine implanta painéis ilustrados com espécies da fauna e flora  brasileiras ameaçados de extinção em centro médico inaugurado no bairro da Penha, Zona Leste de São Paulo. Inovação facilita ambientação e deixa pacientes mais confortáveis

Painel em alta resolução de Arara Vermelha transmite sensação acolhedora para pacientes na sala de espera

 

Em um hospital onde centenas de pacientes, médicos e enfermeiros entram e saem diariamente, acertar na sinalização dos ambientes é vital para impedir que o lugar se transforme numa torre de babel. Com criatividade e soluções modernas, é possível integrar completamente a comunicação visual ao projeto arquitetônico do lugar e obter benefícios valiosos, como a plena satisfação dos pacientes e seus acompanhantes. A GreenLine Sistema de Saúde, por exemplo, investiu em uma identificação visual inovadora e muito mais harmoniosa no Centro Médico São Gabriel, inaugurado em agosto do ano passado no bairro da Penha, na Zona Leste de São Paulo. No local, foram instalados painéis ilustrados com grandes fotografias de espécies da fauna e flora nacionais, que ajudam os usuários a “absorver” o espaço físico em que serão atendidos.Imagens impressas em laminado especial acompanham os usuários em áreas de repouso e procedimentos

Os painéis foram instalados nas diversas salas de espera do centro médico, que possui mais de 5.000 m². As imagens em alta definição e tamanhos grandes de espécies nativas do Brasil ameaçadas de extinção foram impressas em laminados especiais, produzidos pela indústria Madepar com uma tecnologia internacional recentemente trazida ao país. Dentro do prédio, esses painéis ajudam na orientação de pacientes e visitantes, que se locomovem com mais rapidez e agilidade. Isso ajudou a eliminar do dia-a-dia do hospital nomenclaturas pouco conhecidas por clientes menos escolarizados.

“Deveríamos fazer com que essa população não encontrasse dificuldades para acessar os serviços distribuídos em três pavimentos muito grandes. Além disso, queríamos que os clientes se familiarizassem com os locais de uma forma descontraída e natural, que assimilassem a planta do centro médico sem perceber. Tínhamos de agregar informações que contribuíssem para novas formas de entender e enxergar o tema da preservação do meio ambiente”, comenta a arquiteta Célia Bertazzoli, responsável da Cabe Arquitetura pelo projeto.

Cada ambiente recebeu uma decoração e nome próprios – como Mico Leão Dourado, Mandacaru, Tartaruga Marinha, Ipê-Rosa e Amarelo, Arara Vermelha, Tucano. Ao mesmo tempo em que auxiliam na identificação, as imagens escolhidas são fundamentais na harmonização do ambiente, pois remetem à natureza e afastam os usuários do caos urbano enquanto aguardam para serem atendidos.Espécies do cerrado, como o Mandacaru, são familiares para clientes nascidos em regiões do Nordeste

Mais do que isso, a solução arquitetônica criou um cenário propício para o investimento em projetos de responsabilidade socioambiental, por meio de folhetos e materiais gráficos que serão distribuídos nas salas de espera ambientadas com o tema. “O paciente que for encaminhado para a sala Mandacaru, por exemplo, vai poder ver e ler sobre os problemas causados pela destruição do cerrado. Essa ligação entre arquitetura e as ações sociais fideliza o cliente à GreenLine e promove um efeito que vai além do centro médico”, afirma Célia.

Ao completar 15 anos e construir mais uma unidade própria, a GreenLine percebeu que precisaria criar um padrão físico de qualidade maior, incluindo uma melhor orientação dos pacientes dentro de seus edifícios. “Desde que foi inaugurado, o Centro Médico São Gabriel possui um fluxo de atendimento unidirecional. Ao ser atendido, o paciente percorre um caminho lógico, desde o pronto-atendimento até a realização de diversos exames. Ele não fica mais perdido, sem saber para onde deve seguir. É um tratamento mais humano para quem necessita de auxílio, que era a preocupação da empresa nessa nova unidade”, afirma Maria da Graça Câmera Tancredo, coordenadora de enfermagem que contribuiu com o desenvolvimento do projeto.

Descentralização

As fotografias são impressas em papéis especiais,  que realçam cores vivas e são resistentes a riscosPara tornar viável a proposta de atendimento mais ágil do Centro Médico São Gabriel, o layout arquitetônico desenvolvido pela Cabe Arquitetura introduziu o conceito de salas de espera descentralizadas, em que cada especialidade funciona como uma unidade autônoma, mas todas formando um conjunto de atividades necessárias ao funcionamento do hospital. Dessa maneira, o paciente pode tanto passar pelo pronto-atendimento como realizar exames complexos, sem que ocorram interferências e ruídos entre os processos.

O tamanho do terreno em que o hospital foi construído foi um dos fatores que contribuiu para a adoção dessas medidas, mas ao mesmo tempo criou o desafio de fazer com que todos os pacientes, visitantes e profissionais que atuam ali pudessem se locomover e chegar a diferentes setores rapidamente e sem dificuldades.

 

FICHA TÉCNICA

Cliente: GreenLine Sistema de Saúde (www.greenlinesaude.com.br)
Projeto de arquitetura e coordenação: Cabe Arquitetura (www.cabearquitetura.com.br)
Arquiteta responsável: Célia Bertazzoli (Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.)
Idealização da comunicação visual: Marcos Cardone (Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.)

FORNECEDORES

Laminados: Madepar (www.madepar.com.br)
Impressão: Sign Maker (www.signmaker.com.br)

Inovações arquitetônicas em UTI cadiológica auxiliam na recuperação de pacientes

Técnicas construtivas mais avançadas e projeto que privilegia conforto de pacientes contribuem para recuperação mais rápida e diminuição do tempo de internação

UTI moderna: portas deslizantes asseguram privacidade de pacientes e facilitam trabalho no Santa Catarina

 

Há 40 anos, o médico brasileiro Euryclides de Jesus Zerbini realizou o primeiro transplante de coração no Brasil e deu um passo importante para combater as doenças cardíacas, ainda hoje a principal causa de mortes da população nacional. O que o doutor Zerbini talvez não pudesse imaginar é que, quatro décadas depois, a arquitetura dos hospitais também pudesse ajudar os médicos no tratamento dos pacientes que sofrem do coração.

Com a introdução de técnicas construtivas mais avançadas e a preocupação de priorizar o conforto dos pacientes, a UTI cardiológica do Hospital Santa Catarina de São Paulo, por exemplo, conseguiu reduzir drasticamente o número de retorno das internações. Desde sua inauguração, há cerca de dois anos, apenas dois pacientes tiveram de voltar para o local. “Quando você confina uma pessoa, a imunidade dela diminui. Mas se essa pessoa estiver confortável e confiar no tratamento, a recuperação é mais rápida”, avalia o cirurgião cardíaco Reinaldo Vieira, um dos médicos que mais participaram do planejamento do novo espaço. Janelas de vidro duplo com persianas insuladas  permitem entrada de luz natural

om 16 leitos, a arquitetura da UTI projetada pela Cabe Arquitetura privilegia, em todos os aspectos, o conforto de quem está internado. Uma das maiores diferenças em relação às UTIs convencionais são as janelas de vidro duplo com persianas insuladas colocadas nas paredes e divisórias. Elas permitem que o paciente, mesmo dentro da UTI, consiga ver o céu do lado de fora, receber luz natural e assim saber quando é dia ou noite – um parâmetro importante para manter estável a produção de hormônios.

O contato visual com o mundo externo estimula a recuperação, ao mesmo tempo em que os vidros duplos com tratamento especial protegem da entrada de raios ultravioleta e contribuem para aumentar o conforto acústico, inibindo os ruídos vindos da Avenida Paulista. “Além disso, o hospital obteve ganhos na manutenção da assepsia, pois as persianas insuladas não acumulam pó nem sujeira”, destaca a arquiteta Célia Bertazzoli, coordenadora do projeto.

Outra mudança significativa é o respeito à privacidade do doente, que fica em um espaço exclusivo com divisórias e portas deslizantes. Quando não quiser ser incomodado ou estiver com visitas, o paciente pode pedir que as portas fiquem fechadas.

Como a prioridade do hospital era assegurar um tratamento mais humanizado a seus pacientes, o projeto da UTI também investiu num aumento médio de 30% do espaço ocupado por cada leito. Um deles é especial, usado para casos mais graves em que o paciente precisa passar por um período de isolamento. Ali há, além de todos os itens dos demais leitos, também um banheiro privativo, como se fosse um  apartamento convencional.

Avanço profissional

As janelas pequenas, instaladas nas divisórias dos leitos, auxiliam no controle visual dos pacientesO projeto arquitetônico da nova UTI do Santa Catarina também foi pensado para aumentar o conforto e a agilidade do trabalho diário de médicos e enfermeiros. Ao mesmo tempo em que servem para preservar a intimidade dos pacientes, as portas abrem-se totalmente, de maneira rápida, para facilitar a remoção do leito quando é necessário levá-lo para exames, por exemplo. Dessa maneira, foram eliminadas as manobras bruscas que geralmente ocorriam para transportar em conjunto o doente e os aparelhos a que precisa ficar conectado.

No centro da UTI, os móveis com design arredondados, sem quinas, também contribuem para agilizar a locomoção e evitar acidentes. É desse balcão que os enfermeiros acompanham os sinais emitidos pelos aparelhos ligados aos pacientes, o que acabou com os estressantes alarmes estridentes disparados em caso de emergência.

Outra das principais vantagens apontada pelos profissionais que já experimentaram a nova UTI é a possibilidade de manter o monitoramento visual dos doentes mesmo que estejam ocupados em outras atividades. Isso porque as portas possuem áreas transparentes e as divisórias dos boxes têm janelas cujas persianas podem ser abertas. Assim, o paciente continua sendo observado, mas sem perder a privacidade.

Praticidade e economia

Móveis com design arredondado impedem acidentes nas quinas e facilita fluxo dentro da UTICom os leitos colocados em áreas individuais, o Santa Catarina também conseguiu gerenciar melhor seus recursos energéticos. “Cada box possui aparelhos de TV e ar condicionado individuais. Isso permite que possamos desligá-los quando o leito não estiver ocupado e, assim, obter uma economia maior”, destaca Antonio Barroqueiro, gerente de infra-estrutura do hospital.

As paredes que separam os leitos são feitas de drywall, uma tecnologia que usa placas de gesso e estruturas de aço. Com essa tecnologia de construção que dispensa argamassa e tijolos, alterações de layout nos ambientes ficam mais rápidas e higiênicas de serem feitas no futuro. “Um hospital é um ambiente muito dinâmico e essa praticidade precisa ser levada em consideração”, destaca Célia.

Chefe da equipe de transplantes cardíacos do InCor, o cardiologista Noedir Stolf avalia como benéficas as mudanças ocorridas nos locais de internação para cardíacos, cujo tratamento costuma ser mais demorado. “É preciso tomar cuidado com assepsia, mas houve uma flexibilização na internação. Se o tratamento das doenças cardíacas começar cedo e os médicos contarem com uma estrutura adequada, a chance de cura aumenta bastante.”

Elogiada por sua eficiência, a UTI cardiológica do Hospital Santa Catarina já foi apresentada em seminários realizados no exterior. Mas foi no ano passado que ganhou ainda mais destaque, quando ficou à disposição do Papa Bento 16 durante sua vinda ao Brasil.

 

FICHA TÉCNICA

Cliente: Hospital Santa Catarina
Data: 2004 / 2005
Projeto de arquitetura e coordenação: Cabe Arquitetura
Projetos de instalações: AGM Engenharia
Ar condicionado: Fundament-ar (projeto); Heating Cooling (execução)

FORNECEDORES

Piso: Tarkett Sommer - Ace Revestimentos
Forro e divisórias dry-wall: Placo
Caixilhos e portas deslizantes: Técnica Esquadrias
Sistema de insulamento: Vidros Glassec e persianas Screenline da Euro Centro
Iluminação: Lumicenter, Projeto e Ômega
Construtora: Porfírio e Plaza

Núcleo de Pesquisa e Estudos Hospital Arquitetura

Tel.: 11 5584-5277
nupeha@hospitalarquitetura.com.br