Equipamentos e sistemas automatizados podem melhorar a eficiência do atendimento e minimizar custos em hospitais, mas é importante planejar o processo de instalação para não criar custos desnecessários sem alcançar a eficiência desejada

Criados para facilitar e otimizar o trabalho dentro de hospitais, os sistemas de automatização permitem a utilização mais racional de recursos e a diminuição de custos. Fechar a equação de economia aliada ao investimento em tecnologia, contudo, não é tão simples. Para montar projetos verdadeiramente eficientes de controle de estoques, acesso de funcionários e pacientes e aumentar a agilidade no atendimento, por exemplo, é preciso planejar a estrutura física dos centros de saúde com cuidado. Afinal, a automação ainda é relativamente cara e, sem a preparação adequada, corre-se o risco de os benefícios não serem alcançados.

Antes de comprar novos equipamentos e instalá-los, é preciso ter em mente que algumas adequações nos ambientes precisam ser feitas. Os corredores e rampas, por exemplo, precisam ser mais largos para receber macas e cadeiras de roda elétricas, maiores que as convencionais. . O vão das portas também deve ser maior que de antigas construções e as paredes, mais grossas, porque portas automáticas são mais largas, altas e espessas. Outra mudança é em relação ao cabeamento, que necessitará de espaço nas paredes e dutos específicos.

Tantos detalhes e alterações podem parecer demais para serem feitas em edifícios construídos há décadas, situação em que se encontram grande parte dos hospitais brasileiros. Mas é possível fazê-las de uma maneira ordenada e com um custo acessível. Marcos Antonio Porta Saramago, doutor pela Unicamp em integração de dispositivos inteligentes para automação hospitalar, afirma que a falta de planejamento no desenvolvimento do projeto arquitetônico não impede a criação desses sistemas. “Existem soluções para todos os processos de automação, sem que eles atrapalhem a parte estética do hospital”, comenta Saramago. Se não há a possibilidade de colocar a fiação por trás da parede, como é o mais adequado, podem-se construir divisórias de drywall ou então deixá-los debaixo da mesa em áreas como a recepção.

Além de planejar a estrutura física, é preciso cuidar para que o processo de implementação não necessite de um investimento muito grande, afinal, minimizar custos é parte importante da automação. Arquitetos, engenheiros e profissionais envolvidos nas áreas devem avaliar, em conjunto, se a substituição de procedimentos vai resultar em benefícios importantes. Erros dessa natureza costumam ocorrer quando a automação é feita em um “pacote fechado”, sem levar em conta as especificidades de cada instituição. “Ao fazer uma implantação gradual dessa tecnologia, desenvolvedor e cliente trabalham juntos, o que permite ao corpo médico entender o funcionamento dos mecanismos”, explica Saramago. Uma vantagem é que serão feitos sistemas realmente úteis, ajustados pelos próprios funcionários do hospital. “Outro benefício é que, ao diminuir o investimento inicial, a automação fica mais viável e é possível ter um retorno imediato.”

A terceira etapa é a escolha dos equipamentos. Nessa hora, o bom aproveitamento depende se a instituição conhece a fundo os procedimentos praticados em cada setor. Nem sempre os hospitais têm esse tipo de conhecimento, que pode ser adquirido por meio de uma equipe de arquitetos que compreenda como o ambiente influencia na metodologia de trabalho e sistematize as diferentes formas de atuação. Portas que controlam o acesso por meio de cartões com chip, que identificam as passagens permitidas para pacientes, funcionários e acompanhantes, são muito úteis em UTIs e maternidades, por exemplo. No almoxarifado, pode-se ter controle de entrada e saída de pessoal e evitar furtos de pequenas quantidades. Dentro dos quartos de pacientes muito debilitados, o acendimento de luzes e fechamento automático de torneiras elimina a dependência em relação aos enfermeiros para atividades simples.

Em áreas como a recepção e pontos de encaminhamento, a automação só terá sucesso se for acompanhada de treinamento dos funcionários, que devem estar conscientes dos benefícios que serão alcançados. “Para que a eficiência da automatização de trabalhos de base seja alcançada, é preciso que o procedimento não seja agressivo”, comenta Saramago. É preciso criar fácil acesso aos programas, deixando o funcionário o mais à vontade possível com a mudança. “O mais importante é que o sistema deve se adequar ao trabalho do funcionário e não o contrário. Os dispositivos para automação existentes no mercado são feitos para que qualquer pessoa, independentemente de seu nível educacional, possa operar. A idéia é que estes dispositivos sejam desmistificados, não necessitando de um engenheiro para operar. Só assim a automação terá o máximo êxito”, conclui.

 

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