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Este artigo é a síntese do trabalho voluntário de pesquisa, realizado pela unidade de estudos coordenada por Marcos Cardone no NUPEHA.

 

Em 1998 a descoberta da proteína que converte o sinal luminoso em impulso elétrico, a melanopsina, ampliou as pesquisas e experiências científicas a respeito dos efeitos da luz sobre os ciclos biológicos conhecidos como ciclos circadianos.

 

 

Os ciclos circadianos são ciclos biológicos internos necessários para regular o organismo com a alternância entre dia e noite e entre as mudanças de estações durante o ano, preparando o organismo para as diferentes necessidades metabólicas.

A duração dos ciclos circadianos não é absoluta, podendo variar pouco em relação a totalidade de horas do dia. No entanto é fato que os ciclos circadianos são sincronizados com a variação da luz ambiente.

A mudança da intensidade luminosa natural e a redução da componente azul na radiação celeste, coloca o organismo em sintonia com a passagem do dia para a noite provocando a produção do hormônio melatonina que favorece o sono.

Decorridas 12 horas, o ritmo circadiano antecipa as necessidades do dia, produzindo o cortizol que aumenta o ritmo do metabolismo e prepara o corpo para as atividades despertas.

A iluminação artificial intensa rompe a informação fornecida pela iluminação natural e desregula o ciclo circadiano do indivíduo.

Inicialmente as pesquisas apontavam para a ruptura dos ciclos circadianos como tendo consequências ao organismo apenas nos aspectos relativos aos distúrbios do sono e superexcitação, mas a intensificação das pesquisas a cada dia leva a novas descobertas sobre os efeitos dessa ruptura com distúrbios comportamentais, hipertensão, impotência, esquizofrenia, câncer de mama das mulheres em menopausa, transtorno bipolar e outros tipos de alterações comportamentais.

Atualmente as pesquisas sobre a quebra do ciclo circadiano estão mais concentradas nos impactos metabólicos e apresentam indícios de que ele pode favorecer o surgimento do diabete tipo 2 além de outros transtornos metabólicos agravados por fatores como stress, má alimentação, sedentarismo e obesidade.

O mundo evoluiu dentro de uma alternância entre o dia e a noite e entre as diferentes estações do ano. A vida acompanha tais ciclos a milhões de anos.

O fato de que a ruptura dos ciclos circadianos leva a problemas de saúde devido ao modo de vida atual e a tipologia dos edifícios em que passamos a maior parte de nosso tempo está cada vez mais clara. Tão clara que nos últimos anos é absoluta a participação da grande industria de iluminação no desenvolvimento de lâmpadas e sistemas para minimizar os efeitos dos produtos de iluminação artificiais sobre os ritmos biológicos.

Em alguns casos busca-se com o uso modulado dos comprimentos de onda, favorecer a restauração do ciclo circadiano em indivíduos com distúrbios de regularidade. Mas este é um caso que merece um capitulo a parte.

O que se constata é que a distribuição dos comprimentos de onda da iluminação artificial é que deve ser regulado durante o dia e a noite para oferecer ao organismo o sinal correto e colocar o corpo em sintonia com a natureza. A iluminação artificial por si só não apresenta efeitos negativos sobre a saúde. 

Avanços

Os sistemas de iluminação circadianos adaptativos (Circadian Adaptative Lighting)

Em março de 2015 a GE lançou uma linha de lâmpadas especiais para controlar os ritmos circadianos.

GE Aling AM (antimeridiano) que limita a luz do dia e suprime a produção de melatonina facilitando a atividade física e recomendada para as primeiras horas do dia.

GE Aling PM (pós meridiano) recomendada para o uso noturno, emite uma luz âmbar que não suprime a produção de melatonina e facilita o sono.

 

A Philips, que também investe em parcerias científicas, lançou a luminária Go Lite Blue que emite uma irradiação azul que revitaliza o organismo, entre outros sistemas e produtos que encontram -se disponíveis no mercado.

 

A OSRAN, entre outros, propõe uma aplicação para iluminação em võos de longa duração onde a iluminação artificial é modulada para simular uma alternância de radiação intensa com o componente azul e radiação moderada com o componente vermelho para que o

passageiro acostume-se ao novo fuso horário e reduza o jet lag.

 

No ambiente de saúde

No exterior os hospitais começam a aplicar a Circadian Adaptative Lighting em quartos nos quais os pacientes permanecem em ambientes fechados. A ideia é usar a luz de forma efetiva em um ambiente de saúde para melhorar o ambiente de cura e promover o bem-estar dos pacientes e colaboradores.

 Em um importante estudo denominado "O impacto da luz sobre os resultados nos serviços de saúde" - Center for Health Design, 2006 - os pesquisadores observam em suas principais conclusões que ao controlar sistemas circadianos do corpo, diminui-se a depressão de pacientes e o tempo de permanência em internação, a agitação em pacientes com demência, alivia a dor e melhora o sono. A adaptação ao trabalho noturno dos funcionários também apresenta melhora, bem como a presença de janelas no ambiente e acesso a luz natural têm sido associados com o aumento da satisfação com o ambiente.

 

De forma pioneira, a Arquiteta Célia Bertazzoli da CABE Arquitetos que há 21 anos dedica -se ao setor de saúde, em 2006 já demonstrava preocupação com o tema dos ciclos biológicos, a recuperação dos pacientes e o bem estar dos colaboradores ao projetar a torre de especialidades médicas do Hospital Santa Catarina de São Paulo com janelas em todas as faces e nelas instalar controle de iluminação natural e redução dos níveis de ruído por meio de caixilhos com vidros de alta performance e persianas insuladas associados ao sistema de light design e climatização em Unidades de Terapia Intensiva Geral, Pediátrica e Neurológica, revolucionando o conceito desses ambientes por aqui.

                   

                                                                                                    

Os resultados aferidos foram os mais satisfatórios. Consultada sobre o tema, Célia comentou que vem trabalhando com o tema da luz como contribuição à restauração da saúde e que inclui a iluminação natural em projetos de UTI desde o final da década de 90, cujos primeiros projetos foram os da UTI do Hospital Alvorada Santo Amaro. 

                                                                  

Eu sempre procurei trabalhar com as equipes médicas o tema da luz natural em ambiente de UTI para que o organismo possa perceber o ciclo do dia e da noite por meio da luz natural no ambiente, mesmo que o paciente não esteja consciente. Hoje me parece um conceito bastante aceito e amplamente aplicado. O que necessitamos agora é ajustar a luz artificial para ampliar a qualidade do ambiente de saúde por aqui, afirma Célia.

 

Referências

1. Light Research Center and Education Within the School of Architecture at Rensselaer Polytechnic Institute - Light and Health Alliance.

2. UC Davis - University of Califirnia - California Lighting Tecnology.

3. Revista Lumiere ago/2015. Artigo Prof. Dr. Alessando Barghini - Estudo de Caso - Iluminação e Saúde - Iluminação Adaptativa Circadiana.

 

Marcos Cardone é Arquiteto membro do NUPEHA, especialista em urbanismo moderno e contemporâneo e Master em Gestão Pública e Privada do Meio Ambiente. 

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