Sistema adota maca regulável e reúne equipamentos em central, que torna a postura do cirurgião-dentista intuitiva, preservando a sua saúde. Confira os diferenciais dessa técnica

Por Silvana Maria Rosso

A inovação chega ao consultório odontológico depois de 300 anos de sua criação.

O sistema desenvolvido pela Cyon - Soluções Odontológicas introduz à sala clínica uma central de trabalho, onde são conectados os equipamentos necessários para os procedimentos, e uma cama com altura regulável de acordo com o biótipo do profissional.

Neste consultório, que é mais tecnológico e intuitivo que o convencional, o cirurgião dentista trabalha em uma postura mais confortável que preserva a saúde de sua coluna.

"A postura é como a janela para a coluna e, como a coluna vertebral influencia diretamente a saúde, podemos considerar que nossa postura também influencia a nossa saúde como um todo", alerta o quiropraxista Jason Gilbert.

 

                                                  

 

A técnica tradicional

Vamos entender como funciona o consultório convencional para compreender as diferenças com relação à nova técnica proposta pela Cyon. Aqui, o paciente acomoda-se em uma cadeira com a coluna apoiada e o dentista deve se adaptar ao equipamento e ao tipo de procedimento realizado. 

O encosto da cadeira odontológica desloca-se para alterar a angulação, proporcionando campo de visão para o dentista. 

Para adequar sua distância focal, o profissional se aproxima do paciente, flexionando tronco e cabeça além de inclinar e girar os mesmos.

Os braços ficam sem apoio e fazem pequenas elevações para favorecer o procedimento, sobrecarregando músculos, articulações e pescoço. 

E a mesa auxiliar da cadeira odontológica fica lateralmente ao dentista, também promovendo rotações de tronco durante a prática. 

 

Postura incorreta

Habituado com o consultório tradicional e a rotina dos procedimentos, sem se dar conta, o cirurgião-dentista desenvolve Lesões por Esforços Repetitivos (LER) ou Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho (DORT), em função da postura incorreta e dos movimentos repetitivos prolongados. 

As regiões mais afetadas são ombro/braço (39,40%), punho/mão (18,30%) e pescoço (17,20%). 

Assim, dores no pescoço, coluna, ombros e braços são uma realidade que contribuem para a diminuição da qualidade de vida desse usuário e de sua produtividade no decorrer da carreira. 

Desnível de ombro, encurtamento dos músculos peitorais e cabeça rodada e/ou inclinada – que está associada ao movimento necessário para acesso visual ao seu campo de trabalho (interior da boca do cliente) ao longo dos anos incorporam-se à postura do cirurgião dentista, esteja trabalhando ou não.

                                                              

 A ergonomia a favor da saúde

Mas será que é necessário sofrer para trabalhar?

 A boas práticas ditam que a organização do trabalho deve proporcionar maior conforto, o que amplia, consequentemente, a vida útil profissional. 

A ergonomia é a grande aliada da boa postura. Baseada na análise comportamental do usuário, essa ciência busca produzir conhecimento, ferramentas e princípios suscetíveis de orientar racionalmente a ação de transformação das condições de trabalho. 

"Além de humanizar o trabalho, estudos ergonômicos contribuem para uma maior eficiência e rentabilidade do mesmo", ressalta o arquiteto Marcos Cardone da Cabe Arquitetura.

 

O novo consultório

Fundamentados nas normas ISO 6385 e ISO 11226, que estabelecem os requisitos necessários para se obter uma postura saudável durante o trabalho sentado no atendimento odontológico, e na análise do comportamento do profissional, o cirurgião-dentista Roberto Motta, a fisioterapeuta Erika Dias e o engenheiro de produto Venício Venâncio chegaram ao novo consultório.

 O modelo desenvolvido por eles contém cama e central de trabalho com ponto de luz ergonomicamente planejado, travesseiros anatômicos, unidade de água, duas cadeiras, aparelho de raios X, fotopolimerizador, aparelho de profilaxia e ultrassom, bomba a vácuo e compressor.

 Aqui, a cama odontológica substitui a cadeira tradicional, que permite regulagem vertical de no máximo 1,20 metros e possibilita o livre movimentar do dentista. 

Associada à cama, está a central que contém todos os equipamentos necessários para o desenvolvimento dos tratamentos e posiciona-se próxima do cirurgião-dentista, levando mais praticidade a sua rotina.

 

A técnica de lateralidade

No novo consultório, o paciente fica deitado de lado ou em posição fetal, que lhe traz aconchego e maior sensação de segurança, facilitando a realização dos procedimentos. 

Já o dentista fica sentado como se estivesse na mesa do escritório durante todo o tratamento, sem sobrecarregar a coluna. Essa posição simplifica o acesso à boca do paciente e possibilita a visibilidade tanto da arcada superior quando da inferior.

Os braços ficam apoiados pelo cotovelo ou antebraços, o que lhe proporciona mais firmeza e conforto durante a execução dos procedimentos. 

O campo de visão é obtido graças a movimentos mínimos tanto da cabeça do paciente que está apoiada no travesseiro quanto do dentista que se encontra em uma postura mais confortável e intuitiva.

 

Com o novo sistema, o dentista fica mais próximo ao paciente possibilitando que ele regule o foco facilmente, evitando flexões excessivas de tronco e cabeça, e inclinações e torções do corpo.

Sem dores e sem esgotamento, o profissional aumenta a produtividade e a sua qualidade de vida. 

Além das vantagens acima, o sistema da Cyon contribuiu para a saúde financeira da empresa odontológica, por ser um consultório policlínico que torna possível o compartilhamento com diferentes especialidades, permitindo ganho financeiro extra e/ou economia nos custos fixos. 

 

Fonte: Artigo Cientifico "Ergonomia para o Cirurgião Dentista – Estudo Comparativo: Conceito de Sala Clínica que Consiste em Técnica de Decúbito Dorsal da Cadeira Odontológica e Mesas Auxiliares x Conceito de Quarto Clínico que Consiste na Técnica da Lateralidade da Cama e Armário Odontológico. Um Novo Modelo em Ergonomia", por Roberto Motta de Almeida, cirurgião dentista, especialista em Ortodontia, e Erika Dias da Silva, fisioterapeuta especialista em Ortopedia e em Fisiologia do Exercício Resistido na Saúde, Doença e Envelhecimento

 

 

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