Marcos CardoneA natureza da medicina está em mudança e com ela a natureza da infra-estrutura de saúde também se modifica.

Há quem diga que a oferta de banda larga preocupara tanto quanto a oferta de sangue?

Imaginemos daqui a algum  tempo um hospital  se preparando para acomodar um paciente que será operado por um cirurgião que se encontra a milhas de distância manipulando braços cirúrgicos por telecomunicação.
Sonho de futurista? Não, realidade atual!

No ritmo em que as coisas caminham não é mais correto fazer uso de fórmulas pré-concebidas no planejamento de espaços de saúde, pois muita coisa está em transformação.

Nos dias de hoje não se deve dar tanta ênfase à estruturação hierarquizada, pois a marcha da ciência médica e medicamentosa aliada aos novos equipamentos fará com que em curtíssimo espaço de tempo a estrutura de um hospital  em nada se pareça com a atual.

Se medicamentos agora estão tratando de coisas que antes só eram resolvidas com cirurgia, é de se imaginar que o hospital passará a se conceber eminentemente como lugar da tecnologia e da medicina especializada destinando-se a casos mais complexos e agudos.

A crescente ênfase na assistência preventiva também está contribuindo para estimular mudanças tanto na natureza da medicina quanto na tipologia dos edifícios onde ela é praticada.

Embora esta idéia por aqui ainda não tenha se materializado por completo, o fato é que centros médicos e de diagnósticos  apresentam um significativo aumento nos procedimentos ambulatoriais e na medicina preventiva.

Isto significa mais tratamento em casa e em instalações que não sejam hospitais, pois se as pessoas podem escolher, elas preferem estar em casa e não em hospitais.

Em contrapartida, investigação, formação e capacitação tornam-se, cada vez mais, parte integrante das instalações de saúde, fazendo com que de certo modo seu planejamento também se assemelhe ao de um centro universitário.

Atualmente o plano de recuperação de um edifício obsoleto deve se preocupar muito mais com a flexibilização do que com  estruturação de áreas, pois  nenhuma estrutura continuará eficiente em dez anos ou até mesmo em menos tempo. Numa estrutura rígida, engessada, qualquer adequação se tornará muito mais cara, complexa e até mesmo inviável.

Neste processo em que se adequar aos avanços científicos e tecnológicos requer agilidade para não ser superado em curto espaço de tempo, os planos abertos representam a melhor saída para o planejamento e adequação das áreas de saúde.

Marcos Cardone é Arquiteto superintendente da Cabe Arquitetura
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