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Urban Age promove conferência internacional sobre os problemas das megalópoles

Evento aponta erros e mostra que futuro da cidade depende da participação ativa da comunidade

São Paulo: quinto lugar no ranking das cidades mais populosas do mundo

Crescimento desordenado e inúmeros problemas. Este parece ser o retrato mais corriqueiro das grandes metrópoles. Hoje, metade da população mundial vive cercada das “facilidades” dos centros urbanos. No entanto, a qualidade de vida nesses gigantes pólos de consumo parece cada vez mais distante. Diante desse contexto, como a saúde e os hospitais são avaliados pela sociedade?

A explosão das megacidades – metrópoles com mais de 10 milhões de habitantes – resultam em novos desafios para todos os habitantes, incluindo os gestores do segmento da saúde que necessitam de maior projeção para melhorar as condições dessa área. Análises e soluções sobre o visível caos urbano foram propostos no Urban Age, conferência sobre o futuro das megacidades, que aconteceu de 3 a 5 de dezembro, na Sala São Paulo, na capital Paulista (SP). Criado pela London School of Economics (LSE), o evento reuniu alguns dos maiores pensadores urbanos do mundo.

Em sua 8ª edição, o Urban Age enfocou a cidade de São Paulo, que foi objeto do estudo interdisciplinar e teve seu perfil traçado a partir de aspectos urbanísticos, destacando as maiores preocupações e reclamações do paulistano em relação à cidade onde vive. Um dos palestrantes do evento foi Ben Page, diretor executivo da Ipsos Mori, renomado centro de pesquisas com atuação em todo o mundo. Em sua palestra, Page divulgou os resultados do último estudo sobre a capital paulista. Foram realizadas mil entrevistas com moradores da Grande São Paulo. O estudo envolveu questões sobre saúde, segurança, transporte, custo de vida, tráfego e custo de habitação.

Entre os resultados da pesquisa sobre como o paulistano enxerga a cidade, a saúde aparece como a maior preocupação para 44% da população. Outro dado aponta que 43% dos paulistanos se preocupam com a segurança e taxas de criminalidade, 33% com os transportes, 17% com o trânsito e 16% com o custo de vida. Estimativas indicam que nas próximas décadas o Terceiro Mundo deve se transformar no maior gerador de megalópoles. No Brasil, o alerta fica com a cidade de São Paulo, que desde 1975 já é considerada a quinta no ranking das mais populosas. Entretanto, o que preocupa não é o índice populacional e sim as condições de vida dos seus habitantes.

Em 1970,1 em cada 100 paulistanos vivia em favelas. Atualmente, o cenário mudou drasticamente: 1 em cada 5 moradores da cidade reside nas favelas. Desequilíbrios sociais somados a agressões ao meio ambiente foram apontados como os principais problemas nas super cidades. Para Tony Traves, da London School of Economics, não há como pensar na saúde das cidades sem valorizar o meio ambiente. “Precisamos nos movimentar, trazer as pessoas para o mercado de trabalho, sem destruir o meio ambiente”, declarou Traves à  imprensa.

PROJETO DE REVITALIZAÇÃO RESIDENCIAL É PREMIADO

Durante a abertura do evento em cerimônia no Palácio dos Bandeirantes, com a presença do governador José Serra, foi entregue o II Deutsche Bank Urban Age Award, premiação com o objetivo de despertar o interesse e a criatividade dos paulistanos para resolver os problemas da maior e mais complexa cidade da América do Sul. Dos 133 inscritos, 12 trabalhos concorreram ao prêmio de 100 mil dólares. O vencedor foi o projeto "Do Cortiço da Rua Solón ao Edifício União", realizado pelos estudantes da Faculdade de Arquitetura de São Paulo (FAU), em parceria, com os moradores do Edifício União, situado no bairro Bom Retiro, em São Paulo.  O empreendimento residencial foi ocupado e convertido com sucesso em residências bem projetadas para 42 famílias. Os aprimoramentos visuais  do edifício e suas áreas comuns motivaram muitos moradores a fazerem melhorias dentro de seus apartamentos.

Os trabalhos inscritos foram selecionados por um júri de especialistas em urbanismo e formadores de opinião com conhecimento de diversas comunidades urbanas, como o ex-jogador Raí, a cineasta Tata Amaral, a curadora de arte Lisette Lagnado, o arquiteto Fernando Mello de Franco e os especialistas internacionais Anthony Williams, ex-prefeito de Washington, e Ricky Burdett, especialista em urbanismo da London School of Economics.

"É um prêmio que estimula a criatividade das organizações não-governamentais, associações de bairro, pessoas e empresas em matéria urbana; soluções simples que ajudam a melhorar aspectos da nossa cidade. É muito importante despertar e estimular esta criatividade porque, de repente, a gente vê soluções incríveis, baratas e boas para melhorar a vida das pessoas em grandes cidades, como é o caso de São Paulo e outras tantas", destacou o governador Serra.

Em 2009, o prêmio será realizado em Istambul, Turquia. A conferência de São Paulo foi a oitava organizada pelo Urban Age. Desde 2005, o evento já foi realizado em Nova York, Xangai, Londres, Cidade do México, Joanesburgo, Berlim e Mumbai. Em todos locais, foram discutidos temas como mobilidade, segurança, inclusão social e a influência das cidades sobre as mudanças climáticas. Saiba mais sobre o Urban Age, acesse: www.urban-age.net

 

Cuidados e planejamento evitam armadilhas em áreas verdes de hospitais

Proximidade com a natureza tende a diminuir impactos negativos de período de internação para pacientes, mas criação de jardins em edifícios de saúde exige cuidados e atenção na escolha das plantas que serão utilizadas

Jardim com flores coloridas exige manutenção, mas traz benefícios para os pacientes do hospital

Plantas e flores, geralmente vistas apenas como objetos de ornamentação, podem ter um efeito muito maior do que apenas embelezar o cenário de um hospital.Árvores de grande porte podem ser usadas em áreas externas amplas Quando as espécies certas são cultivadas em espaços adequados e bem planejados, a interação entre pacientes e natureza costuma ajudar na aceitação do tratamento e na rápida recuperação. Por isso, a arquitetura de um edifício de saúde deve propiciar esse relacionamento sempre que for possível. Contudo, alguns cuidados adicionais, que nem sempre são observados, precisam ser tomados para evitar rachaduras no piso e paredes, proliferação de insetos e até infecções hospitalares causadas pela escolha errada das espécies.

Antes de pensar nas cores, objetos e plantas do jardim, é preciso definir, ainda na fase de projeto, qual a finalidade do espaço que será montado. Assim, evitam-se erros comuns como colocar vasos que se quebram facilmente em locais de passagem de macas. Ou manter em áreas fechadas espécies que precisam de muita iluminação e ventilação, aumentando o risco de surgimento de fungos e bactérias nocivas aos pacientes.Jardins montados em locais de reabilitação ajudam internados a se sentirem mais confortáveis

Depois de decidir o uso que será feito do jardim, é hora de escolher as espécies mais apropriadas para o cultivo. Fatores como necessidade de poda e rega, tamanho das raízes, grande volume de pólen nas flores (que pode causar alergia) e tantos outros precisam ser levados em consideração nesta fase. Algumas árvores podem trazer problemas depois de algum tempo, como a fícus e a flamboyant, que possuem raízes grandes e causam rachaduras no piso. A xeflera e a piracanta, que gostam muito de umidade, podem causar infiltração. “É preciso ainda evitar em estacionamentos árvores como a quaresmeira, pois sua flor mancha a pintura do carro, e a espatódia, que escorrega como casca de banana”, ensina Eliana Azevedo, presidente da Associação Nacional de Paisagismo.

Outras espécies podem até não causar danos físicos ao hospital, mas tem impactos negativos no estado de espírito dos pacientes. “Jardins áridos com muitas pedras e cactos são desconfortáveis, apesar de bonitos. O estilo tropical ou mesmo o jardim japonês são mais indicados”, afirma Maria Carolina Landgraf, agrônoma e paisagista do Instituto Brasileiro de Paisagismo. Assim como os espinhos, folhas duras também causam desconforto em ambientes de acolhimento. Em contrapartida, algumas cores podem deixar os ambientes mais acolhedores. “Os tons pastéis, como o branco, lilás, rosa e azul acalmam”, explica Eliana. “Já as cores fortes, como o amarelo dos girassóis, agitam”, completa a especialista. Para criar um jardim harmonioso, onde os pacientes possam se sentir confortáveis, é importante usar uma ou duas tonalidades de cores apenas.

Nem todo mundo que fica internado está apto a deixar o quarto e passear ao ar livre, mas isso não pode impedir os benefícios do relacionamento com a natureza. Responsável pelo paisagismo do Hospital Santa Catarina, Mary Cristina Silva diz que a arquitetura dos edifícios pode resolver esse desafio. “Pequenos canteiros do lado de fora da janela aproximam a natureza do paciente que está na UTI. Esse contato, na verdade, é benéfico até para a equipe médica”, afirma.

Outro benefício valioso dos jardins diz respeito ao aumento do conforto térmico e ambiental. "O uso da vegetação contribui para melhorar a qualidade do ar, porque reduz os índices de dióxido de carbono, e também ajuda na amenização da temperatura e absorção de barulho externo", ressalta o arquiteto Matheus Takayama, da Cabe Arquitetura.

Manutenção

Jardim do Hospital Santa Catarina, de São Paulo, recebe manutenção constante durante todo o ano

Não é só na hora de montar as paisagens naturais que são necessários cuidados especiais. “Um dos maiores problemas no paisagismo hospitalar é durante a manutenção, que requer mão-de-obra especializada regularmente, o que demanda dinheiro”, alerta Maria Carolina. Uma opção nesse caso é usar plantas rústicas e suculentas, como a bela-emília, jasmim e murta, que necessitam de menos cuidados e são mais resistentes a fungos. Já nas áreas internas, é preciso cuidar dos pratinhos de água sob os vasos, que deixam a água parada. Uma solução é usar vasos que possuam bases com rodízio podendo trocar a água com regularidade.

Ainda sim a manutenção permanente, como é feita no hospital Santa Catarina, é a mais indicada. Semanalmente cuidadas, as rosas do jardim possuem mais de 10 anos e ainda permanecem saudáveis.  “Rosas são muito suscetíveis a pragas e por isso não pode haver descuido. Porém, todas as plantas devem receber muita atenção nos hospitais”, comenta a paisagista, lembrando os benefícios trazidos a todos pelo investimento em um projeto paisagístico.

Os vasos devem ser limpos todas as semanas e removidos quando possível, como os de vidro no hall de espera. Porém, se forem de concreto é preciso limpar em volta deles, onde há acúmulo de sujeira. Plantas que não possuem mais espaço para crescer podendo causar danos à arquitetura, também devem ser trocadas, como era o caso dos antigos fícus em torno da imagem da santa, que comprometiam a impermeabilização do local. Mary optou então por retirá-las e montar um novo jardim. Para as árvores não serem destruídas, elas foram remanejadas para um colégio público da capital, ganhando um destino melhor e mais ecológico.

 

GRAAC oferece conforto gratuito para auxiliar tratamento de crianças com câncer

Abrigo montado com apoio do Instituto Ronald McDonald, em São Paulo, oferece aconchego e segurança para famílias carentes que não têm onde ficar na cidade durante a realização do tratamento

Abrigo construído na cidade de São Paulo oferece conforto e segurança para crianças com câncer

Janelas amplas e portas de correr dão liberdade para as crianças correrem até a área externa da casa

Conviver com doenças graves, como o câncer, pode ser bem menos traumático se o paciente estiver acomodado em um local confortável, aconchegante, bonito e seguro. Há um ano, o Graacc (Grupo de Apoio ao Adolescente e à Criança com Câncer) inaugurou em São Paulo uma casa de apoio para abrigar doentes e acompanhantes que vêm de outras cidades para receber atendimento na unidade médica localizada no bairro de Vila Mariana, Zona Sul da capital. Planejado para fazer as crianças esquecerem que estão em tratamento, o lugar é uma prova de como um ambiente adequado pode ser de grande valor neste longo processo.

Batizada de Casa Ronald McDonald, por ter sido construída com apoio do instituto criado pela rede de lanchonetes, o abrigo de 2.000m² de área construída tem três andares e um subsolo. No térreo, ficam o refeitório, a sala de estar, a brinquedoteca e o auditório, onde as crianças se reúnem para sessões de cineminha. “Todos esses ambientes são muito iluminados com luz natural, graças às janelas e portas deslizantes de vidro bastante grandes. As crianças podem se locomover à vontade para o jardim e para dentro da casa”, comenta Marta Mingione, coordenadora da casa que tem capacidade para hospedar até 30 pacientes com um acompanhante.Área do refeitório recebe iluminação natural durante todo o dia, graças à varanda voltada para o jardim

Localizado do lado direito da casa, com uma varanda que fica de frente para o jardim externo, o refeitório é um dos cômodos que melhor exemplifica o conceito de proteção e conforto oferecido pela instituição. Ali, a luz também tem passagem livre durante o dia, deixando o ambiente decorado com cores vivas mais confortável. Com isso, as crianças que precisam de uma alimentação rica tendem a ficar estimuladas para manter uma nutrição balanceada.

Para a coordenadora da casa, o maior objetivo é fazer com que pacientes e acompanhantes tenham o máximo de conforto para que o tratamento realizado no hospital do Graacc, para onde as crianças são levadas pelas manhãs, tenha sucesso. “A intenção, desde o início do projeto, foi criar uma casa fora de casa. As crianças e suas mães ou tias precisam estar confortáveis enquanto estiverem hospedadas aqui”, ressalta Marta.

Sinalização

Sinalização visual feita com adesivos e desenhos  ajuda hóspedes a identificarem quartos nos andares

Embora a casa não seja tão grande, auxiliar pacientes e acompanhantes a se localizar é outro aspecto fundamental. Nas portas dos quartos foram colados adesivos com origamis que representam animais do mar e terrestres. Na entrada dos andares, há uma placa indicando para que lado fica cada bichinho, o que auxilia tanto as crianças quanto as mães e acompanhantes que não foram alfabetizados.

“Muitas famílias que ficam aqui são carentes, alguns adultos também não sabem ler. Essa medida evita constrangimentos”, avalia Marta. A utilização de cores diferentes – azul e verde – nos primeiro e segundo andares também contribui para uma melhor identificação.

Outra preocupação no ambiente foi com a assepsia, já que os tratamentos quimioterápicos diminuem a resistência do organismo a invasores. Por isso, todas as portas são de fórmica lisa e o piso possui revestimento vinílico, mais fáceis e práticos de limpar.

Na parte interna, rampas de acessibilidade e um elevador central ajudam na locomoção de deficientes e pacientes mais debilitados. De acordo com Marta, todo o projeto segue recomendações e especificações técnicas que determinam, por exemplo, ângulo de inclinação e altura desses acessos.

Inaugurada em abril de 2007, a casa do Graacc foi construída em um terreno cedido pela prefeitura de São Paulo e custou cerca de R$ 3 milhões. No Brasil, ela é a terceira unidade financiada pelo Instituto Ronald McDonald – também há casas de apoio no Rio de Janeiro e em São Bernardo do Campo. O projeto de construir abrigos confortáveis e aconchegantes para crianças com doenças graves, porém, é global e em todo mundo existem aproximadamente 270 locais feitos com o mesmo objetivo.

 

PARA SABER MAIS

Graacc

Site: www.graacc.org.br/

Telefone: (11) 5080-8400

 

 

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