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Uma vila só para idosos

Projetada e construída pela CDHU, a Vila Dignidade de Avaré é a primeira dos dez empreendimentos populares que serão inaugurados em 2010

O diferencial das casas da Vila Dignidade estão em comportar uma pessoa com conforto, de acordo com as normas de acessibilidade. O direito de uso das unidades é cedido  pela prefeitura do município cadastrado no programa.

 O projeto da CDHU integrou sala cozinha,  privilegiando a entrada abundante de luz naturalParece sonho, mas é realidade! Na primeira quinzena de fevereiro, será inaugurada em Avaré, SP, a primeira vila projetada e construída especialmente para idosos de baixa renda. Trata-se da Vila Dignidade, um núcleo habitacional horizontal com 24 unidades contendo áreas de convivência, adequadas às necessidades das pessoas idosas, com acompanhamento permanente de assistência social, criado graças ao Decreto Estadual nº 54.285, de 29 de abril de 2009.

O programa Vila Dignidade, como é chamado, é uma ação conjunta das secretarias da Habitação, de Assistência e Desenvolvimento Social, de Economia e Planejamento, da Cultura, da Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano do Estado de São Paulo (CDHU), do Fundo de Solidariedade e Desenvolvimento Social e Cultural do Estado de São Paulo (FUSSESP), em parceria com as prefeituras paulistas.

O Vila Diginidade visa prevenir o asilamento, atendendo pessoas com 60 anos ou mais, independentes para a realização das atividades de vida diária, com renda mensal de até dois salários mínimos, preferencialmente sós ou sem vínculos familiares sólidos e residentes no município inscrito no programa há pelo menos dois anos, e que estejam cadastrados na prefeitura. O banheiro é munido de barras de apoio e assento para banho, eas louças estão na altura indicada pela norma de acessibilidade

"Trata-se de uma iniciativa piloto. Se der certo, a gente vai multiplicar porque em São Paulo tem perto de 4,2 milhões de pessoas acima de 60 e uma parte delas tem problemas de isolamento e renda", disse o governador Serra no lançamento do programa.

Moradia e ações sociais

Os recursos do programa são originários da Secretaria Estadual da Habitação e do Tesouro do Estado e repassados à CDHU, responsável pelo desenvolvimento e execução do projeto. As vilas são construídas em terreno próprio da CDHU ou da Prefeitura, e o produto final oferecido é habitação integrada com ações sociais. "Na primeira etapa, serão construídas dez vilas, e investidos R$ 10 milhões", afirma o engenheiro João Abukater Neto, diretor técnico.Feitas em estrutura metálica e paredes de  placas cimentícias, pintadas com tinta  texturizada, as casas da Vila Dignidade  passam o mesmo aconchego  da tradicional alvenaria

O município participante deve elaborar o Projeto Social, conforme modelo e diretrizes estabelecidos pela Secretaria Estadual de Assistência e Desenvolvimento Social, e se encarregar da gestão social dos núcleos do Vila Dignidade. As aprovações de legislação pertinente e dos projetos junto aos órgãos competentes também ficam à cargo da Prefeitura.

O diferencial do Programa Vila Dignidade é que o idoso não adquire o imóvel, mas recebe da prefeitura os direitos de uso. Além disso, todas as casas estão sendo construídas em estrutura metálica leve, paredes em placas cimentícias e dry wall, tudo testado pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) e homologado pelo Programa da Qualidade da Construção Habitacional do Estado de São Paulo (QUALIHAB), o que agiliza bastante a obra. No caso de Avaré, por exemplo, as 22 casas, foram erguidas em três meses. Por causa das chuvas, houve um atraso no término da infraestrutura, retardando a inauguração do núcleo.A estrutura metálica veio pré-montada e  agilizou a construção das casas, que demorou três meses

Ao contrário do que reza a lenda, o light steel frame, como é chamado internacionalmente o sistema construtivo, custa apenas em torno de 7% mais caro do que a tradicional alvenaria, porque usa fundação do tipo radier que também funciona como laje de piso. De acordo com o diretor técnico, "a tendência é o custo baixar". Vantagens não faltam: o sistema é limpo, as peças vêm pré-montadas, e o número de funcionários na obra é menor.

O programa também inova ao seguir os mandamentos do desenho universal. Tanto as casas quanto as áreas comuns possuem pisos antiderrapantes, são munidas com barras e rampas, interruptores em quantidade e altura ideais, os vãos são maiores e permitem a passagem de cadeirantes, e as louças sanitárias e pia estão instalados em altura adequada. E também em dispor de aquecimento solar em todas as unidades, para evitar desperdício de energia. A Vila Dignidade foi projetada com  paisagismo especial, salão de  festas para eventos,e equipamentos esportivos, incentivando o convívio

 

Vila Dignidade Avaré

Data do projeto: 04/2009
Data da obra: 09/2009 a 02/2010
Projeto de arquitetura: CDHU
Projeto da estrutura metálica: Casa Micura
Construção e montagem: Construtora Sequência
Perfis de aço: Kofar
Telhas cerâmicas: Cerâmica Ferreira Lopes
Placas cimentícias: Brasilit
Drywall: Placo
Equipamentos para pessoas especiais: Crismóe
Piso cerâmico: Formigrés

 

Construção da nova sede da Casa Hope melhora os espaços para os usuários

Com 13 anos de existência a instituição filantrópica ganha espaço próprio, adaptado às necessidade de seus hóspedes

A nova Casa Hope foi projetada para se parecer a uma grande residência

A nova construção com 6.000 m2 ocupa o terreno  de 3.700 m2,cedido em comodato pelo Governo  do Estado, no Planalto Paulista,em São Paulo, SPEm 2009, a Casa Hope deu um dos maiores saltos de toda a sua trajetória: inaugurou a sua sede própria, totalmente adaptada às necessidades de seus hóspedes, crianças carentes portadoras do câncer e seus acompanhantes. Com o apoio de inúmeros parceiros e colaboradores, e a concessão do terreno de 3.700 m2 no Planalto Paulista, em São Paulo, pelo governo do Estado, a Casa Hope construiu o seu novo centro de apoio, com maior capacidade de atendimento e consequentemente mais qualidade nos serviços que presta.

A instituição oferece atendimento, moradia, alimentação, nutrição, vestuário, transporte, serviço social, assistências odontológica e psicológica, medicamentos, auxílio funeral, apoio pedagógico, terapia ocupacional, fonoaudiologia, fisioterapia, cursos, oficinas e assistência jurídica. E agora conta com 188 leitos, ampla área de lazer, refeitórios, salão para eventos, biblioteca, brinquedoteca, salas de artes, de aula, de TV e muito mais, distribuídos em cerca de 6.000 m².

A Casa Hope recebe crianças carentes portadoras de câncer e seus acompanhantes

"Com a construção da sede própria, tudo melhorou. Além de não gastarmos mais com aluguel, temos um espaço mais completo e confortável para atendermos cada vez melhor as crianças e seus acompanhantes", afirma a presidente Cláudia Bonfiglioli, que acompanhou tudo de perto, da criação até a conclusão da obra. Segundo ela, "todo esse processo gerou uma emoção muito grande, pois, pouco a pouco, víamos um sonho de anos se tornar realidade". Da obtenção do terreno a conclusão da obra, que custou R$ 10 milhões, foram seis anos.

A arquitetura

O projeto da nova sede da Casa Hope, assinado pelo escritório de arquitetura Ricardo Julião, teve início no ano de 2004 e se baseou na constatação de que a criança com câncer que possui acesso a tratamentos tem 75% de chance de cura.

O envolvimento do escritório foi tal que o próprio arquiteto Ricardo Julião tornou-se vice-presidente voluntário da instituição. O projeto foi doado e os arquitetos que participaram também cederam de graça suas horas de trabalho, não recebendo por tal. O escritório também responsabilizou-se pela captação de doações, não apenas financeiras como de materiais para a concretização do espaço.

Devido a particularidade do projeto, a nova Casa Hope foi elaborada em ordem inversa: "o terreno delimitou a área, que delimitou a população, cujas necessidades delimitaram o programa", explica Julião.

Visando abrigar crianças carentes com câncer vindas do Brasil inteiro, sem previsão de período de permanência, a edificação além de destinada à moradia deveria também ser voltada para as áreas de educação e atividades de lazer. O terreno, localizado em bairro eminentemente residencial, apresentava algumas restrições quanto a ocupação, de forma que o projeto preocupou-se em aproveitar ao máximo a área, dentro do que a legislação permitia.O jardim interno tem até jabuticabeiras, possibilitando interação entre os pacientes e a natureza

O partido adotado pelo escritório de arquitetura buscou uma solução que lembrasse uma residência, com grandes telhados e poucos pavimentos, para não impactar com o bairro, nem se parecer a um hospitail, remetendo a um espaço onde pessoas residem.

O jardim frontal, onde acontece o principal acesso, e a recepção têm múltiplo uso, podendo ser utilizados para eventos de arrecadação de fundos. Como cada criança deve vir acompanhada, os dormitórios foram pensados para abrigar duas crianças e dois acompanhantes, somando um total de 49 dormitórios e uma população de 192 moradores -- com áreas isoladas para transplantados, devido à falta de imunidade. Os sanitários são comunitários, masculino e feminino, com cabines individuais e áreas de banho e de vestir isoladas. O projeto também previu um solarium e um páteo jardim que tem até jabuticabeira, além de quadras poliesportivas.

 

Aprovado projeto de lei que permite a terceirização de hospitais estaduais

Para virar lei, o texto que libera a gestão de hospitais estaduais por OSSs deve ser sancionado pelo governador José Serra.

Hospital da Vila Alpina é administrado por organização social de saúde.

Falta apenas a sanção do governador José Serra para que o Projeto de Lei Complementar 62/2008, de sua autoria, recém aprovado pela Assembléia Legislativa de São Paulo, vire lei. O texto altera a legislação de Organizações Sociais de Saúde (OSS) do Estado, permitindo-lhes  a gestão de hospitais públicos estaduais em funcionamento -- a exemplo de outros 25 que já atuam segundo esse modelo desde 1998 --, e que até 25% dos atendimentos em cada unidade  sejam de pacientes com plano de saúde e particulares, mediante cobrança. Com a futura  lei, empregados serão contratados por CLT e as compras poderão acontecer sem licitação, agilizando mudanças e reformas de urgência.Serra é autor do projeto.

Segundo a Secretaria Estadual de Saúde, hospitais terceirizados são 25% mais produtivos e custam 10% a menos. A deputada relatora do projeto, Maria Lúcia Amary (PSDB), alega que o dinheiro pago pelos pacientes ou seus planos de saúde serão investidos nos próprios hospitais, subsidiando o atendimento dos pacientes do SUS.

O que muda

Na verdade, a lei mudará o modelo de gestão de hospitais criados antes de 1998, ano em que foi aprovada a legislação que autoriza a implantação e administração de novos hospitais estaduais por OSSs. Os 25 hospitais que já são geridos por OSSs continuam como estão.

De acordo com a assessoria de imprensa da Secretaria Estadual da Saúde, as OSS são entidades sem fins lucrativos que, com a futura lei, firmarão um contrato de metas de produção -- cirurgias, exames e consultas -- com o Governo do Estado, que não repassará seu patrimônio. Os equipamentos e o espaço continuam sendo Estado, a ferramenta de gestão é que passará a ser privada. Além disso, 10% do orçamento global será vinculado e comprometido à meta de qualidade, com a finalidade de melhorar o sistema de saúde público.40% do custeio do Hospital Regional do Vale do Paraíba, administrado por OSS vem das operadoras.

"Nesse tipo de gestão, há mais agilidade para se fazer uma compra. Pelo processo direto a buracracia muitas vezes atrasa o time da aquisição", afirma João Antônio Aidar Coelho, diretor executivo da Rede de Contratos de Gestão do Grupo de Saúde Bandeirantes, que administra o Hospital Regional do Vale do Paraíba, em Taubaté, há cinco anos, pelo mesmo sistema de gestão, segundo o qual o faturamento com as operadoras representa 40% do custeio, ocupando apenas 15% dos leitos. Além disso, ele alega que tecnologia em medicina é acumulativa e não substitutiva. "A cada tecnologia nova que se agrega a um hospital, existe um custo muito grande. A gestão por OSS foi uma forma que o poder público encontrou para administrar melhor a sua rede. A OSS tem mais expertize para isso", completa Coelho.

Prestação de contas

Para avaliar o cumprimento do plano de metas e os gastos das unidades, a prestação de contas das OSSs são analisadas pelo Tribunal de Contas do Estado, pela comissão de representantes da Secretaria de Saúde, pela comissão de saúde da Assembléia Legislativa e por representantes do Conselho Estadual de Saúde. Qualquer irregularidade, o Estado pode tirar a gestão das mãos da OSS.

Segundo pesquisa realizada pela Secretaria da Saúde, entre 20% a 30% dos usuários do Sistema Ünico de Saúde possuem planos de saúde. Com a nova lei, o Estado poderá cobrar do planos de saúde a parte que lhe cabe, e com essa verba até complementar o salário dos funcionários, como acontece nos hospitais da rede municipal de São Paulo.

Cabe também ao Estado determinar o tipo de atendimento que deve ser prestado por aquela unidade, que conforme a Assessoria de Imprensa da Secretaria, em nada mudará. A fila será única para todos. O que modifica é a cobrança. A parcela de 25% de pacientes particulares ou que possuem planos de saúde deverá pagar pelo atendimento. Acima dessa cota, o Estado continuará bancando.

 

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