Arquitetura atual assume nova postura perante o usuário e auxilia na promoção de saúde

A arquitetura atual proporciona conforto e segurança ao paciente, através do uso de novos elementos CRÉDITO: Instituto de Promoção da Saúde- Porto Seguro, projetado pela Cabe Arquitetura Hospitalar

Os espaços de saúde modernos esboçam um novo desenho. A começar pela sua relação mais humanizada com o usuário. Hoje, seja paciente, médico, profissional de enfermagem, familiar do paciente, ou visitante, todos aqueles envolvidos no processo de produção de saúde são valorizados na hora da concepção arquitetônica do edifício.

Para aliviar o sofrimento e propiciar a recuperação da saúde dos pacientes, os novos ambientes propõem-se a promover o bem estar, o acolhimento e a segurança de toda a cadeia a qual se relaciona. Vários estudos mostram a relação direta do espaço hospitalar com os resultados dos pacientes, provando que ambientes agradáveis diminuem a ansiedade e a dor, interferindo diretamente na cura.

A ação do ambiente

A luz natural, levada ao interior da reabilitação e fisioterapia do Hospital Santa Catarina, estimula a recuperação do paciente Projeto: Cabe Arquitetura Hospitalar“O paciente é um ser fragilizado que necessita de cuidados especiais. Os profissionais, muitas vezes, se encontram cansados, apressados, tensos, pela própria natureza estressante do seu trabalho. E, a alta tecnologia, que envolve os equipamentos de exames e salas de diagnósticos, em geral, criam uma atmosfera fria e repulsiva nos ambientes hospitalares”, explica a arquiteta doutora Ana Virgínia Carvalhaes de Faria Sampaio, docente da disciplina Conforto Ambiental na Universidade Estadual de Londrina.

“Ambientes frios e impessoais têm sido associados a um maior tempo de internação e a uma maior dosagem de medicação contra dor”, ressalta o arquiteto Roger S. Ulrich, diretor do Center for Health Systems and Design da Texas A&M University.

A esfera humana

“O espaço humanizado centra-se no paciente, colabora para a sua autonomia, estabelecendo adequadas relações psicológicas com o ambiente que o acolhe, como elemento fundamental da desejada cura”, de acordo com o grupo de pesquisa Espaço Saúde/ PROARQ-FAU/UFRJ, criado em 2002 em parceria com o Núcleo de Estudos de Saúde Coletiva-NESC-UFRJ. “Através de uma ambientação humanizada, é possível estimular reações positivas ao restabelecimento do equilíbrio físico e psíquico do usuário, seja ele paciente, colaborador, visitante, minimizar efeitos estressores, contribuir no processo de cura, no aumento de produtividade, na melhora da qualidade e no acolhimento”, completa a arquiteta Célia Bertazzoli, da Cabe Arquitetura Hospitalar.

“Conforto visual e acústico, iluminação suave, carpetes para a absorção de ruídos, cores suaves e obras de arte para tornar a atmosfera acolhedora e caseira, e a possibilidade de delegar aos pacientes o controle do espaço tais como o controle de luzes, temperatura e facilidades, como televisão, facilmente alcançadas a partir do leito”, o arquiteto Mauro César de Oliveira Santos, Prof. Dr. DPA- PROARQ-FAU-UFRJ e integrante do Grupo, exemplifica alguns elementos introduzidos nos novos projetos.

“Luz e ventilação naturais, janelas com visualização do céu e de paisagens ruídos controlados, jardins de fácil acesso, fontes de água e aquários com peixes, privacidade garantida ao paciente, visitas liberadas para o acesso de familiares, corredores curtos e largos, cores e texturas diferenciadas em paredes, tetos e pisos”, Sampaio destaca recursos que podem ser adotados em projetos focados na saúde.

“Se um edifício ou ambiente é concebido considerando a percepção do usuário como ponto fundamental, ele estimula sensações, atitudes, comportamentos, mais ou menos desejáveis para as diversas situações de atividade humana”, diz Bertazzoli.

A política

A humanização dos espaços de saúde é pauta de discussões desde os anos 70 no exterior e desde os anos 80 no Brasil. Mas, por aqui, só no século XXI o diálogo ganhou corpo e importância, e a humanização passou a ser colocada em prática nos hospitais em geral.Desenhos, cores e volumes adequaram a UTI Pediatrica do HSC à esfera da criança | Arquitetura de interiores: Cabe Arquitetura Hospitalar

Em 2001, o Ministério da Saúde criou Programa Nacional de Humanização da Assistência Hospitalar (PNHAH), que valoriza todos os envolvidos no processo de produção da saúde. Com ele, a discussão sobre o bem estar do paciente e de toda a cadeia alcançou a esfera pública nacional, abrindo um diálogo maior sobre o assunto e envolvendo também a iniciativa privada.

Em 2003, o PNHAH mudou o nome para Política Nacional de Humanização (PNH), também chama de HUMANIZA SUS --, um conjunto de diretrizes para a humanização dos hospitais do Sistema Único de Saúde (SUS), e hoje é referência para toda a cadeira de saúde. “São ações que visam a melhoria da qualidade dos atendimentos, melhorando os ambientes de cuidado e as condições de trabalho dos profissionais”, explica Sampaio.

Na prática

Escritórios de arquitetura como a Cabe Arquitetura Hospitalar vêm se destacando ao implantar os conceitos de humanização disseminados por meio do PNH em projetos como os da UTI Cardiológica e da Hebiatria do Hospital Santa Catarina, este último encedor da categoria Saúde Interiores, do Prêmio de Arqutietura Corporativa da Flex Eventos; e o do Centro Médico São Gabriel , todos em São Paulo e divulgados no site, entre outros trabalhos.

“A arquitetura deve tratar o ambiente hospitalar como um todo, da concepção do projeto, a definição da implantação, e interação com o entorno, e não como um invólucro, pratica comum nos últimos anos”, opina Bertazzoli. Projetos na medida do usuário Para alcançar os resultados esperados, o primeiro passo no processo projetual, segundo Bertazzoli, “é entender profundamente o usuário e as atividades desenvolvidas por ele no local”.

Projetos na medida do usuário

Para que a edificação de saúde alcance os resultados esperados, o primeiro passo no processo projetual, segundo Bertazzoli, “é entender profundamente o usuário e as atividades desenvolvidas por ele no ambiente”.

“A partir dos dados obtidos através de entrevistas e pesquisas, mergulhamos na busca de soluções que promovam a interação do usuário com o meio ambiente interno e externo, o respeito à individualidade, à cultura, à privacidade, que estimulem sentimentos positivos, que favoreçam a hospitalidade, o acolhimento, que ativem a curiosidade, evitem a monotonia e que qualifiquem os espaços”, salienta a arquiteta.

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